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Intoxicação educacional no campo

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Não é de hoje que os agrotóxicos causam problemas na sociedade e no meio ambiente, mas sou convicto que muito disso se dá pela falta ou pouca execução de uma ação muito importante para qualquer um envolvido direta ou indiretamente com o assunto: Educação Sanitária.

Se analisarmos melhor as matérias divulgadas nas mídias, a população que mais sofre com a ação dos químicos são os agricultores, fazendo uso incorreto dos venenos, sem a proteção exigida, com compra irregular e sem orientação, com diluição completamente desproporcional ao indicado no rótulo, recaindo em prejuízos a sociedade como um todo, com o descarte incorreto das embalagens vazias e o não cumprimento do intervalo de segurança (repouso entre a aplicação e o momento de colheita para consumo seguro do produto), por exemplo.

A situação piora quando instituições que deveriam colaborar facilitando o acesso a essa informação, como EMATER, estão Brasil afora em situação calamitosa, atendendo a outros interesses que não seja da população. Órgãos fiscais do meio rural como CREA também tem sua parcela de culpa, com fiscalizações insuficientes, infelizmente não por vontade própria, mas por falta de recurso, financeiro e humano e/ou planejamento estratégico.

Os muros das instituições de ensino de cursos rurais devem cair facilitando cada dia mais o acesso à informação, a sensibilização do campo, com aulas práticas que envolvam cada fez mais a comunidade e que o agrotóxico seja tratado não como um criminoso, mas como uma arma perigosa com vários efeitos colaterais, desde que não seja corretamente usada, com todos os cuidados e recomendações e não sendo a única fonte de extermínio de pragas nas lavouras.

O poder público e a iniciativa privada devem ser exigidos a cumprir mais fortemente o que determina o artigo 19 da Lei nº 7.802/89 – define que o Poder Executivo desenvolverá ações de instrução, divulgação e esclarecimento, que estimulem o uso seguro e eficaz dos agrotóxicos, seus componentes e afins, com o objetivo de reduzir os efeitos prejudiciais para os seres humanos e o meio ambiente e de revenir acidentes provocados pelo seu mau uso e as empresas produtoras e comercializadoras de agrotóxicos, implementarão em colaboração com o Poder Público, programas educativos e mecanismos de controle e estímulo à devolução das embalagens vazias por parte dos usuários.

Já o art. 2º do Decreto nº 4.074/02 – define que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Saúde e do Meio Ambiente, nas suas respectivas áreas de competência, desenvolver ações de instrução, divulgação e esclarecimento sobre o uso correto e eficaz dos agrotóxicos e afins.

Porém, não deveria ficar somente aí. Deveria ser mais exigida nos próprios cursos de ciências agrárias, veterinárias e saúde, com certa profundidade, devido a importância dos agrotóxicos também em produtos veterinários e domissanitários (produtos para uso domestico e jardinagem) que utilizam alguns princípios ativos iguais aos aplicados em lavouras, com concentrações menores.

A ação de educação sanitária deve ser cobrada com mais rigor, inclusive das agências fiscais estaduais, com dispositivos de cobrança de sua realização mais eficaz, evitando que o servidor não a cumpra, deixando a comunidade rural desassistida de informações básicas essenciais para evitar intoxicações diretas ou indiretas, dos seres humanos ou meio ambiente. Mesmo sendo sabido que, no popular, a informação “entra num ouvido e sai no outro”, a reciclagem dos agentes responsáveis sobre metodologias pedagógicas de transmissão de conteúdo colaborariam demais, juntamente com a massificação desse repasse, já que “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”.

Observe a tabela abaixo retirada do livro Defesa Vegetal – Fundamentos, Ferramentas, Políticas e Perspectivas de Sugayama, et. al., 2015. Veja que muitas irregularidades no campo podem ser corrigidas com momentos de repasse de informações.

Contudo, atualmente, é inadmissível viver de braços cruzados esperando a morte, ou no caso, a informação chegar. Diversos são os canais com material de qualidade e de graça, mas cabe a você também, agricultor, estudante ou curioso, buscar as instituições públicas e provadas e seus servidores ou colaboradores para palestras, mini cursos e capacitações nas suas escolas, bairros e comunidades. Exerça seu direito de cidadão e ajude na transmissão desse saber. Tenho certeza que, embora a imagem do servidor público ande desgastada, você conseguirá achar profissionais capacitados a realizar tais eventos.

A ADAPI (Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Piauí) está sempre de portas abertas e executando suas atividades com qualidade, pontualidade e respeito ao que é público e de direito da sociedade.

Paulo Melo

Engenheiro Agrônomo

Fiscal Estadual Agropecuário – ADAPI

Instagram: @segundoagro

Facebook: fb.me/segundoagrooficial

e-mail: segundoagrooficial@gmail.com

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